Como aprender a produzir música eletrónica

A maioria das pessoas que tenta aprender produção de música eletrónica não falha por falta de informação. Falha porque consome essa informação pela ordem errada. Um tutorial sobre compressão sidechain visto antes de conseguires programar um ritmo convincente ensina uma técnica que ainda não consegues usar. Um vídeo sobre design de som avançado visto antes de perceberes o que é um envelope deixa-te com presets que não sabes modificar. O resultado é uma pasta cheia de loops de oito compassos e nenhuma faixa terminada.

A solução não é mais conteúdo. É sequência. Seguem-se cinco fases, pela ordem que resulta na prática, cada uma com algo que podes praticar de imediato em vez de apenas ler sobre o assunto.

Fase 1: aprender a ouvir antes de aprender a fazer

Antes de tocar num DAW, escolhe uma faixa de referência num género que queres produzir e desconstrói-a mentalmente, camada a camada. Isola o kick. Depois o resto da bateria. Depois o baixo. Depois a camada harmónica, seja uma progressão de acordes ou um pad. Por fim, o lead ou o vocal principal. A maioria dos iniciantes salta este passo e vai directo a criar sons, o que significa que constroem sem planta.

É uma competência, não um talento, e melhora com repetição. Se quiseres um método estruturado para treiná-la, os nossos artigos sobre treino de escuta activa e sobre uso de faixas de referência aprofundam o método.

Fase 2: o ritmo vem primeiro, não a melodia

A música eletrónica constrói-se de baixo para cima, a partir da bateria. Uma faixa com uma melodia medíocre e um groove excelente ainda assim move as pessoas. Uma faixa com uma melodia bonita e um ritmo plano e estático raramente consegue o mesmo. Por isso, a primeira coisa que vale a pena construir com as próprias mãos é um ritmo, não uma melodia.

Começa com um padrão simples de quatro tempos: kick em cada tempo, clap ou snare nos tempos dois e quatro, hi-hats a preencher os espaços. Depois quebra ligeiramente a grelha, deslocando um hi-hat da semicolcheia exacta ou introduzindo um pouco de swing, porque um ritmo rígido e perfeitamente quantizado é o que faz as primeiras produções soarem sintéticas.

Ferramenta interativa — Drum Box
Experimenta agora

Abre a Drum Box acima e programa um padrão básico de quatro tempos a 122 BPM. Adiciona um clap nos contratempos e depois introduz swing até o groove deixar de soar mecânico.

Fase 3: constrói o teu primeiro som de raiz

Depois de teres um ritmo, a competência seguinte é criar um som em vez de apenas navegar por presets. Não precisas de perceber síntese modular para isso. Precisas de três conceitos: o oscilador, que gera a forma de onda base; o filtro, que molda quais as frequências que passam; e o envelope, que controla como o som evolui ao longo do tempo, geralmente dividido em attack, decay, sustain e release.

Um baixo simples é o melhor primeiro projecto, porque obriga a tomar decisões sobre altura, corte do filtro e forma do envelope que são audíveis de imediato. Se quiseres o detalhe completo destes três pilares, o nosso artigo sobre como funcionam os sintetizadores desenvolve cada um deles.

Ferramenta interativa — Sintetizador
Experimenta agora

Abre o sintetizador acima e constrói um baixo de duas notas. Fecha o corte do filtro até o som ficar escuro e depois abre-o lentamente, ouvindo como o timbre muda.

Fase 4: transformar o loop num esboço

É aqui que a maioria dos produtores autodidactas fica presa, e é a razão de tantas pastas estarem cheias de ideias de oito compassos por acabar. Um loop não é uma faixa. Uma faixa precisa de um início, um ponto de tensão, uma libertação e um fim, mesmo na sua forma mais simples.

A saída não é pensar em maior escala. É pensar em secções. Pega no ritmo da fase dois e no baixo da fase três, e esboça quatro secções curtas: uma introdução mais vazia, uma secção principal mais cheia, um breakdown despido e uma saída curta. Não precisas de um estúdio completo para esta exploração. O canal Underdog Electronic Music School tem uma explicação clara deste problema exacto, que vale a pena ver junto com esta fase.

"The way out of the 8-bar loop" — Underdog Electronic Music School (em inglês)
Ferramenta no browser — sem DAW necessário

Esboça a tua ideia no Mini Studio

Constrói esse esboço de quatro secções directamente no browser com o nosso Mini Studio, um sequenciador, piano roll e mesa de mistura que funciona inteiramente online, sem DAW nem instalação.

Abrir o Mini Studio ↗

O nosso artigo sobre passar do loop à faixa completa aprofunda esta transição quando estiveres pronto para avançar.

Fase 5: acabar, mesmo que imperfeito

A última fase é a que ninguém quer ouvir: habituares-te a acabar faixas que não são perfeitas. Equilibra os níveis de forma aproximada, usa EQ para impedir que os elementos disputem o mesmo espaço de frequência, e exporta. Uma mistura simples que efectivamente terminas ensina mais do que um projecto por acabar que polis para sempre, e isto não é um atalho, é um padrão bem documentado entre produtores que passam de iniciantes a competentes: quem acaba muitas faixas medianas evolui mais depressa do que quem aperfeiçoa uma que nunca chega a sair.

Para onde isto leva

As cinco fases acima são a mesma estrutura que usamos para ensinar o percurso completo do zero até uma faixa terminada e exportável, construído especificamente à volta de House, Techno e Organic House. Se quiseres estas fases desenvolvidas com um currículo completo, exercícios práticos e as 19 ferramentas interactivas incluídas, é exactamente para isso que serve o curso abaixo.

OHXALA RECORDS Academy

PMEI — Produção de Música Eletrónica para Iniciantes

O PMEI transforma estas cinco fases num currículo completo, com exercícios práticos e a biblioteca inteira de ferramentas interactivas.

Conhecer o curso ↗

Experimenta agora

Marca 20 minutos no relógio. Programa um ritmo de quatro tempos com swing na Drum Box. Constrói um baixo de duas notas no sintetizador. Abre o Mini Studio e junta os dois num esboço de oito compassos que faça loop de forma limpa. Se chegares aí, já fizeste mais trabalho estruturado do que a maioria das pessoas consegue no primeiro mês de produção autodidacta.

Leituras e vídeos complementares